{"id":12113,"date":"2014-05-02T19:48:44","date_gmt":"2014-05-02T22:48:44","guid":{"rendered":"http:\/\/crisbottallo.com.br\/blog\/?p=12113"},"modified":"2014-05-04T21:49:02","modified_gmt":"2014-05-05T00:49:02","slug":"um-dia-como-outro-qualquer","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/crisbottallo.com.br\/blog\/?p=12113","title":{"rendered":"Um dia como outro qualquer&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Nessa \u00faltima quarta-feira, dia 30 de abril, aconteceu uma coisa curiosa aqui em meu Studio\/Ateli\u00ea.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/crisbottallo.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Janela.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/crisbottallo.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Janela.jpg\" alt=\"\" title=\"Janela\" width=\"460\" height=\"307\" class=\"alignnone size-full wp-image-12114\" srcset=\"http:\/\/crisbottallo.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Janela.jpg 460w, http:\/\/crisbottallo.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Janela-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o era um dia especial, n\u00e3o estava particularmente bom, nem ruim.<br \/>\nEra apenas um dia como outro qualquer.<\/p>\n<p>Na verdade, estava at\u00e9 um dia que poderia &#8211; em outro momento &#8211; me deixar meio irritada ou ansiosa. Eu tinha acordado cedo para fazer meu exerc\u00edcio matinal, e naquela quarta-feira fui praticar yoga \u00e0s 7h. Na sa\u00edda, 8h, o tr\u00e2nsito j\u00e1 estava meio chato, v\u00e9spera de feriado, cedo pela manh\u00e3\u2026 Mas ok, cheguei em casa, tomei meu caf\u00e9 da manh\u00e3, a\u00ed o banho, atendi \u00e0s demandas da casa, antes de sair falei com as pessoas que estavam por l\u00e1 etc etc.<\/p>\n<p>Fui para a fisioterapia &#8211; estou em tratamento, fazendo fisioterapia 3 vezes por semana, e a sess\u00e3o at\u00e9 demorou um pouco mais, cerca de 1h40. Sa\u00ed de l\u00e1 tarde, e j\u00e1 era hora do almo\u00e7o. Em um dia qualquer, eu teria ficado irritada com isso, com a demora de come\u00e7ar meu trabalho. Mas naquele dia, n\u00e3o. <\/p>\n<p>Naquele dia, naquela quarta, fui para o ateli\u00ea, a\u00ed fui escrever no site do Clube de Artesanato, que \u00e9 o meu trabalho, respondi emails, esperei repostas, respondi de novo\u2026 Ajustei as fotos, editei escrevi, postei. Resolvi uns probleminhas com o banco, fiz uma liga\u00e7\u00e3o. Separei uma encomenda, fiz outra liga\u00e7\u00e3o, atendi uma pessoa que queria saber sobre aulas, respondi mais uns emails, outra liga\u00e7\u00e3o, fiz uma entrega e finalmente fui comer alguma coisa, l\u00e1 pelas 15h&#8230;<\/p>\n<p>Em um dia qualquer isso teria me deixado bem ansiosa tamb\u00e9m. At\u00e9 aquele momento, nada de &#8220;trabalho no ateli\u00ea&#8221;, que \u00e9 como chamo meu trabalho produtivo, da minha produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Com exposi\u00e7\u00f5es marcadas para daqui a duas semanas, perder 30 minutos de trabalho j\u00e1 me deixa angustiada, imaginem ent\u00e3o a manh\u00e3 toda e mais uma parte da tarde.<\/p>\n<p>Mas naquele dia eu fui trabalhar na hora em que foi poss\u00edvel, e o trabalho estava indo bem: eu tinha terminado meu livro e ficado muito satisfeita com ele, e os outros projetos tamb\u00e9m estavam bem encaminhados, ent\u00e3o eu pude trabalhar gostando daquele tempo. Sentia o cheiro de tinta no meu ateli\u00ea e gostava daquilo, olhava os pap\u00e9is impressos todos juntos na secador de papel e tamb\u00e9m gostava muito da imagem que via&#8230;<\/p>\n<p>Depois de imprimir algumas gravuras e gravar mais algumas telas, fiz uma pausa para o caf\u00e9. Arrumei algumas coisas na cozinha enquanto o caf\u00e9 passava, depois peguei uma caneca com o caf\u00e9 e fui dar uma olhada pela janela da sala do Studio.<\/p>\n<p>Olhei o final de tarde, a luz bonita de um fim de tarde de outono, vi o reflexo dos meus trabalhos na janela, olhei para minhas coisas, olhei para fora, pela janela, e naquele exato minuto, tive uma sensa\u00e7\u00e3o muito curiosa: pensei em como eu iria sentir falta daquele dia de abril, dos dias de abril. Logo em seguida, pensei que ainda viria maio, e seus dias ainda mais lindos, depois junho, que adoro, julho, agosto, setembro, o ano todo. Pensei: &#8220;por que sentir falta desse dia, se voc\u00ea tem ainda todos os outros dias da sua vida para viver?&#8221;<\/p>\n<p>E tive uma sensa\u00e7\u00e3o muito curiosa de conforto, de satisfa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPensei em como eu era privilegiada por ter todos os dias para viver como aquele dia, um dia comum de abril, e tive um momento, um breve momento de satisfa\u00e7\u00e3o plena, essa que as pessoas vivem buscando para se elevar. Durou alguns poucos segundos, mas compreendi, naquele minuto, que a gente \u00e9 verdadeiramente feliz quando \u00e9 pleno, e s\u00f3 somos plenos quando temos a consci\u00eancia exata de quem somos. Eu, naqueles segundos, entendi que sou o que vivo naqueles momentos, aqueles dias da minha vida, e que isso me bastava.<\/p>\n<p>A gente passa a vida toda, a maior parte do tempo, esperando algo.<\/p>\n<p>A gente espera terminar um curso, espera encontrar o trabalho ideal. A gente espera ficar pronto, espera &#8220;chegar l\u00e1&#8221;, espera a hora certa. Espera segunda-feira para come\u00e7ar o regime e a academia, espera o fim do m\u00eas para come\u00e7ar de verdade, espera a melhor hora para mudar, espera\u2026<\/p>\n<p>Na escola os professores esperam os alunos aprenderem isso para depois ensinar aquilo; os chefes esperam seus subordinados estarem prontos, e todos esperam a hora certa para tudo: casar, ter filho, mudar de vida, de cidade, de emprego. A gente espera o dinheiro alcan\u00e7ar, espera algu\u00e9m chamar, espera algo terminar, ou come\u00e7ar. A gente espera encontrar o amor das nossas vidas, o projeto de vida, a casa dos sonhos.<br \/>\nE vai esperando&#8230;<\/p>\n<p>Mas nada, nenhuma dessas coisas v\u00eam, e muitas delas nem sequer existem.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 hora certa, n\u00e3o h\u00e1 momento ideal, e a felicidade n\u00e3o \u00e9 um lugar para voc\u00ea ir, para chegar at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n<p>A gente pode ser feliz &#8211; ou ao menos ter esses momentos de felicidade &#8211; em um dia qualquer, quando nos encontramos plenos, quando tomamos consci\u00eancia de ser quem somos, plenos, em uma tarde qualquer, comum, de um dia de abril.<\/p>\n<p>Foi isso que aconteceu comigo naquela tarde, e me fez muito bem.<br \/>\nN\u00e3o sei se foi o fato de ter praticado yoga pela manh\u00e3, n\u00e3o sei se foi porque estava satisfeita com um trabalho que havia feito. Mas o fato \u00e9 que me senti muito bem. Me senti satisfeita, calma e serena. <\/p>\n<p>Pode at\u00e9 ser que a felicidade apare\u00e7a de muitas outras maneiras, e pode ser que para algumas pessoas ela seja muito diferente disso. Mas para mim, naquele dia, a felicidade era estar l\u00e1, em meu studio\/ateli\u00ea, entre minhas coisas e trabalhos, simplesmente vivendo um dia de abril, do qual eu sentiria saudades depois\u2026<\/p>\n<p><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9518983180152168\";\n\/* 468x60, criado 10\/07\/10 *\/\ngoogle_ad_slot = \"2365267377\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\n\/\/-->\n<\/script><br \/>\n<script type=\"text\/javascript\"\nsrc=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nessa \u00faltima quarta-feira, dia 30 de abril, aconteceu uma coisa curiosa aqui em meu Studio\/Ateli\u00ea. N\u00e3o era um dia especial, n\u00e3o estava particularmente bom, nem ruim. 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