{"id":9512,"date":"2012-09-21T22:49:04","date_gmt":"2012-09-22T01:49:04","guid":{"rendered":"http:\/\/crisbottallo.com.br\/blog\/?p=9512"},"modified":"2020-07-10T00:43:46","modified_gmt":"2020-07-10T03:43:46","slug":"dia-da-arvore-dia-da-nossa-arvore","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/crisbottallo.com.br\/blog\/?p=9512","title":{"rendered":"Dia da \u00c1rvore, dia da &#8220;nossa \u00e1rvore&#8221;.."},"content":{"rendered":"<p>Ol\u00e1 a todos!<\/p>\n<p>Passei o dia buscando um momento em que eu pudesse escrever um pouco sobre o dia de hoje, o <em>Dia da \u00c1rvore<\/em>. Pena que essa hora veio s\u00f3 agora, quase no finalzinho do dia&#8230;<\/p>\n<p>Eu tenho tantas coisas para falar sobre as \u00e1rvores, tantas!<br \/>\nElas transformaram minha vida, transformaram meu trabalho, sobretudo nesse \u00faltimo ano. Mas disso voc\u00eas j\u00e1 sabem, afinal, quem me acompanha aqui tem visto, quase que diariamente, um <em>post<\/em>, foto ou coment\u00e1rio falando da minha s\u00e9rie &#8220;A \u00c1rvore do Dia&#8221;.<\/p>\n<p>E como disso voc\u00eas j\u00e1 est\u00e3o at\u00e9 cansados de saber, como se diz por a\u00ed, resolvi que hoje vou falar de outras \u00e1rvores, vou falar da \u00e1rvore que marcou minha vida, da &#8220;nossa \u00e1rvore&#8221;.<\/p>\n<p>Meu av\u00f4 materno tinha um s\u00edtio em Extrema, sul de Minas Gerais. Ele comprou aquele pedacinho de terra, 32 alqueires na beira da Rodovia Fern\u00e3o Dias, exatamente no dia em que eu nasci, 30 de setembro de 1967. Sempre me lembrei disso, minha m\u00e3e me dizendo: &#8220;seu av\u00f4 estava comprando o s\u00edtio quando fui para o hospital para ter voc\u00ea&#8221;. Ele tinha passado a maior parte da vida em pequenas cidades do interior de Minas e acabou vindo morar em S\u00e3o Paulo com os filhos mais crescidos, mas sempre guardou aquela vontade de ter &#8220;uma terrinha&#8221; em Minas, e, ao se aposentar, foi exatamente o que fez, comprou seu s\u00edtio.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei exatamente o porqu\u00ea, mas aquele s\u00edtio, aquele pedacinho de terra nesse mundo, marcou minha vida de um jeito muito, muito especial, como nenhuma outra coisa marcou. Adorava ir para l\u00e1, adorava, adorava! Era o lugar do mundo em que eu mais gostava de estar, sempre. Com seus morros, cachoeiras, estradas, bosques, adorava aquele lugar.<\/p>\n<p>N\u00f3s tivemos esse s\u00edtio por 15 anos, e por 15 anos eu e minha fam\u00edlia passamos boa parte das f\u00e9rias e muitos feriados por l\u00e1. Me lembro do caminho que faz\u00edamos de casa, ainda em Santo Andr\u00e9, at\u00e9 o s\u00edtio. Me lembro das ruas que peg\u00e1vamos, dos lugares em que pass\u00e1vamos, da estrada&#8230; Lembro de cada detalhe, como se fosse ontem, como se n\u00e3o tivessem passado 30 anos desde a \u00faltima vez que estive l\u00e1. Lembro das curvas que o carro fazia, lembro das paisagens e lembro, sobretudo, das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Eu me guiava pelas \u00e1rvores, aquelas que a gente avista da estrada, quando est\u00e1 nos carros&#8230; Lembro de alguns trechos da estrada com v\u00e1rias \u00e1rvores juntas, formando uma alameda, com sombras e aquele frescor que v\u00eam das \u00e1rvores&#8230; Lembro tamb\u00e9m de algumas \u00e1rvores sozinhas, que ficavam na paisagem como personagens de uma hist\u00f3ria. Lembro da sensa\u00e7\u00e3o de alegria que me dava quando eu avistava um pequeno morro com cinco arvorezinhas enfileiradas, que ficavam no s\u00edtio vizinho ao do meu av\u00f4, sinalizando que j\u00e1 est\u00e1vamos chegando, que sim, hav\u00edamos chegado!<\/p>\n<p>No s\u00edtio do meu av\u00f4, no alto do primeiro morro, o que ficava mais perto da estrada, havia uma \u00e1rvore, um carvalho, que meu pai batizou de &#8220;nossa \u00e1rvore&#8221;. Esse carvalho &#8211; que certamente ainda est\u00e1 l\u00e1 &#8211; se destacava na paisagem, era mais esguio, tinha um tronco alto e uma copa bem desenhada, mas n\u00e3o muito cerrada &#8211; e bem irregular.<\/p>\n<p>Isso, ali\u00e1s, era o que me chamava mais aten\u00e7\u00e3o, a copa n\u00e3o era sim\u00e9trica, ela era bem diferente em cada um dos seus lados, um lado era mais arredondado e o outro mais alongado, com uma ponta saliente.  E ele ficava l\u00e1, isolado, sozinho, bem no alto da estradinha que sa\u00eda do p\u00e9 da estrada principal, como se olhasse para o s\u00edtio, tomasse conta dele, e ao mesmo tempo dissesse a todos <strong>&#8220;\u00c9 aqui, aqui \u00e9 o lugar!&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Todas as vezes em que \u00edamos para o s\u00edtio, meu pai dava um jeito de organizar a nossa caminhada, a caminhada at\u00e9 a &#8220;nossa \u00e1rvore&#8221;. Aquele era o momento m\u00e1gico da viagem, meu pai parecia o chefe de uma expedi\u00e7\u00e3o important\u00edssima, valente, forte, corajoso, o l\u00edder de nossas maiores aventuras. E n\u00f3s \u00e9ramos seus seguidores, seus aprendizes. \u00cdamos caminhando, eu, meus irm\u00e3os, nossa m\u00e3e e outros parentes que por vezes se juntavam a n\u00f3s.<\/p>\n<p>Era quase um ritual, uma cerim\u00f4nia. <\/p>\n<p>L\u00e1 \u00edamos n\u00f3s, satisfeitos, conversando animados, ouvindo as hist\u00f3rias do meu pai, \u00e0s vezes cantando, outras vezes caminhando em sil\u00eancio e ouvindo os ru\u00eddos do mato (os grilos, o estalar das \u00e1rvores e do mato, a \u00e1gua correndo na nascente, os bichos)&#8230; \u00cdamos ao encontro da &#8220;nossa \u00e1rvore&#8221;.<\/p>\n<p>E ao chegar l\u00e1, ao p\u00e9 do nosso carvalho, avist\u00e1vamos o s\u00edtio todo: de um lado a estrada, e mais ao fundo, as montanhas da Serra da Mantiqueira; l\u00e1 no centro e abaixo, a casa principal; mais abaixo o lago. Acima a estradinha que levava da casa at\u00e9 as cachoeiras, o est\u00e1bulo, o pasto do gado, a casa do caseiro, as hortas, o pomar&#8230; O s\u00edtio inteiro aos p\u00e9s daquele carvalho, da &#8220;nossa \u00e1rvore&#8221;.<\/p>\n<p>Naqueles momentos, quando eu estava l\u00e1, ainda menina, tudo o que eu queria era ser aquele carvalho, ser aquela \u00e1rvore e ter aquele s\u00edtio, o lugar do mundo que eu mais amava, s\u00f3 para mim, e sempre para mim.<\/p>\n<p>Por muitos anos foi essa a sensa\u00e7\u00e3o mais forte que eu tive. Eu queria ser aquela \u00e1rvore, que estava sempre l\u00e1, e sempre t\u00e3o certa, t\u00e3o segura, t\u00e3o \u00fanica. Como ela, n\u00e3o havia outra. Havia muitas e muitas \u00e1rvores no s\u00edtio, muitos carvalhos, inclusive. Mas nenhum era como aquele. Aquele era \u00fanico. Era a &#8220;nossa \u00e1rvore&#8221;.<\/p>\n<p>Um belo dia meu av\u00f4 nos avisou, por telefone, que havia vendido o s\u00edtio.<br \/>\nAssim, de uma hora para outra, sem despedidas, sem conversas, sem tempo para me preparar, nada. Ele se cansou e vendeu, simples assim. Eu tinha 14, 15 anos, e fiquei arrasada, arrasada.<\/p>\n<p>Por meses eu sonhei com o s\u00edtio toda semana, chorava o tempo todo, lembrava e chorava. Foi a primeira vez que eu realmente senti o que \u00e9 perder algo, perder algo extremamente caro e valioso, e mais, perder algo que nunca, nunca ser\u00e1 reposto. Nunca haver\u00e1 outro s\u00edtio como aquele, e nunca haver\u00e1 outra \u00e1rvore como a &#8220;nossa \u00e1rvore&#8221;. <\/p>\n<p>Ainda sonho com o s\u00edtio do meu av\u00f4 &#8211; durante toda minha vida eu tenho sonhado com ele, na verdade acho que sempre irei sonhar&#8230;<\/p>\n<p>Ainda tenho na mem\u00f3ria o desenho da estrada, da casa, da serra, das \u00e1rvores e do nosso carvalho. Muitas vezes a sensa\u00e7\u00e3o mais dolorosa \u00e9 justamente saber que aquele lugar do mundo ainda existe, est\u00e1 l\u00e1, mas n\u00e3o mais para mim.<\/p>\n<p>Mas o que o s\u00edtio do meu av\u00f4 me marcou, j\u00e1 est\u00e1 gravado em mim e na minha hist\u00f3ria &#8211; isso n\u00e3o muda mais. Quando eu comecei a desenhar e pintar minhas \u00e1rvores, me dei conta que muito daquele carvalho estava l\u00e1, em meu trabalho.<\/p>\n<p>Na verdade est\u00e1 l\u00e1.<br \/>\nEst\u00e1 na assimetria das copas, nas estampas da paisagem, nas cores calorosas e familiares, nos tra\u00e7os marcados. Cada \u00e1rvore que eu fa\u00e7o \u00e9 um pouco aquele carvalho, e mais do que isso, \u00e9 o que aquele carvalho deixou para mim. E nessa hora eu sinto que posso, sim, ser aquela \u00e1rvore. Eu sou aquela \u00e1rvore e tudo o que ela me transformou. <\/p>\n<p>Agrade\u00e7o ao meu pai, \u00e0 minha m\u00e3e e, naturalmente, ao meu av\u00f4 (que por coincid\u00eancia tinha como sobrenome Carvalho), por me presentearem com uma \u00e1rvore, uma \u00e1rvore que tanto marcou a minha vida.<br \/>\nTodo mundo nessa vida precisa de uma \u00e1rvore, uma \u00e1rvore para cultivar, uma \u00e1rvore para ser a sua vida, uma \u00e1rvore para viver. Desejo que cada um de voc\u00eas encontre a sua. <\/p>\n<p>Cristina Bottallo<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/crisbottallo.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/22-de-setembro.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/crisbottallo.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/22-de-setembro.jpg\" alt=\"\" title=\"22 de setembro\" width=\"460\" height=\"496\" class=\"alignnone size-full wp-image-9521\" srcset=\"http:\/\/crisbottallo.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/22-de-setembro.jpg 460w, http:\/\/crisbottallo.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/22-de-setembro-278x300.jpg 278w\" sizes=\"(max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a><br \/>\n<strong>E a primavera chegou!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ol\u00e1 a todos! Passei o dia buscando um momento em que eu pudesse escrever um pouco sobre o dia de hoje, o Dia da \u00c1rvore. 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