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Em dia de Oscar, a conversa é sobre cinema…

Quase não escrevo mais hoje, mas o assunto passou o dia todo na minha cabeça, seria uma pena não aproveitá-lo, não é mesmo?

Certamente já comentei com vocês duas coisas que eu gosto muito: a cidade onde moro, São Paulo, e ir ao cinema. E por que lembrar dessas duas coisas? Porque São Paulo é uma cidade de cinéfilos, como eu ) e mais um montão de pessoas…).

São Paulo tem mais de 50 salas de cinema, tem um Festival de Cinema muito renomado e concorrido, alguns cine-clubes e salas especiais com uma programação particular, nas quais exibem alguns filmes que em outros lugares jamais encontrariam público. Adoro isso na minha cidade, porque ADORO cinema! Ir ao cinema te leva para outras histórias, em outras paisagens e com outras pessoas. É estimulante, terapêutico, e ao mesmo tempo ajuda a formar uma visão muito mais crítica sobre a vida e tudo ao nosso redor.

Pois bem, esse ano eu comecei com uma meta, um objetivo: iria muito mais ao cinema, afinal eu andava meio frustrada por ter perdido muitos filmes que entraram e saíram de cartaz e eu acabei não assistindo. Como o Oscar acontece sempre nesse época, início do ano, nesse período a oferta de filmes aumenta bastante. E eu consegui alcançar um número bem bacana, um recorde para mim: até o dia de hoje, 24/02, assisti nesse ano de 2013 a 15 filmes no cinema. E se tudo correr conforme o previsto, fecharei o mês de fevereiro com mais 2 filmes, completando 17 filmes nesse ano, uma média de quase dois por semana.

Nem todos o filmes a que assisti nesse tempo são filmes que estão concorrendo ao prêmio dessa noite, e também isso não importa muito: o Oscar é um prêmio feito para funcionar dentro de seu próprio universo, não reflete, portanto, a qualidade real do cinema, mas é fato também que os filmes indicados a esse e outros prêmios acabam sendo aqueles que se destacam pela qualidade, se não do pacote completo, pelo menos na atuação particularmente especial de uma ator ou na visão diferenciado de uma diretor, que consegue, de forma especial, usar a linguagem do cinema para nos contar uma história que pode marcar nossas próprias história.

Não se se irei conseguir manter essa média até o final do ano, não sei nem se a oferta de bons filmes permitirá isso. Mas o fato é que fico muito feliz em perceber que consegui colocar mais cinema em minha vida. E vou atrás de manter isso enquanto eu puder.

Quando o resultado do prêmio sair, comentarei aqui com vocês minhas modestas opiniões. E até lá!


Coisa boa!

Coisa boa é passar um dia delicioso – apesar do calor quase insuportável – fazendo aquilo que a gente mais gosta: trabalhando com serigrafia, trabalhar com arte!

Hoje foi meu primeiro dia de aula em 2013, uma turma completa com 6 alunos na loja O Velho Livreiro, dos meus queridos Estela e Pablo.

Com a classe completa, e sem os equipamentos que uso normalmente em meu ateliê, optei por trabalhar com os métodos direto de estêncil com papel e matriz com crayon litográfico e emulsão sensibilzada sobre as matrizes. E cada aluno fez um projeto com ao menos duas cores…

Projetos finalizados, todos satisfeitos, sobretudo a professora… 🙂

Nessas horas penso como me sinto privilegiada em poder trabalhar com serigrafia – ainda mais com a divulgação dessa técnica pela qual sou simplesmente apaixonada…
Quando fiz meu primeiro curso de estamparia em camisetas, no ano de 1984, já sabia que seria uma paixão para sempre.

Mesmo que por alguns períodos nesses 29 anos eu tenha deixado de exercer essa atividade – por conta das oportunidades e dos caminhos da vida – poder retomar esse trabalho agora e transformá-lo em minha atividade principal é mais do que eu jamais poderia esperar para mim. Só tenho a agradecer!
Coisa boa!


Pintura Barroca – Meus primeiros contatos…

Meus primeiros contatos com a técnica de Pintura Barroca em Madeira foram literalmente apaixonantes…
Vi, achei lindo, queria fazer igual e não larguei mais… 🙂

Eu, que mesmo no comecinho da minha carreira – e como toda boa artesã – já acompanhava tudo que havia em matéria de publicações sobre artesanato era “fã de carteirinha” das revistas Manequim e Cláudia. Elas sempre traziam matérias sobre trabalhos manuais, que eu adorava. Depois a Abril, que também as editava, lançou a Arte em Casa, exclusiva de trabalhos manuais, e, creio eu, a primeira revista com esse perfil que tivemos. Em seguida vieram as excelentes Faça Fácil, editada originalmente pela Editora Globo e um pouco mais tarde a Mãos de Ouro, da Editora Nova Cultural. Eu não perdia nenhuma número delas, todos os meses estava lá nas bancas, atrás das minhas fontes de inspiração e referências…

De todas as lembranças daquele tempo (meados e final dos anos 80, começo dos 90), uma das mais queridas para mim era um encarte especial que a revista Manequim trazia e que se chamava “Ateliê Manequim”. Os encartes eram numerados, e vinham com as edições mensais da revista. Não sei exatamente quantos eles publicaram, talvez uns 30, ou um pouco mais… Eu tenho alguns, mas não muitos, infelizmente…

Os temas eram os mais variados: pinturas em geral, decoupage, bordados, velas, sabonetes, bijuterias, latonagem, cartonagem, biscuit, flores de tecido e até xilogravura e serigrafia! Sim, acreditem, as editoras Malu Vianna e Rita Paiva, que trabalhavam na Abril na época, faziam coisas inacreditáveis!

Não preciso nem dizer que esse fascículo abaixo, o de Barroco Brasileiro é um dos meus preferidos…

As peças da edição foram feitas pela minha primeira professora de pintura em madeira, a Prof. Norma Donato, que tinha um ateliê muito simpático em suas casa, no bairro de Perdizes, aqui em São Paulo. Tive a sorte de poder aprender algumas técnicas com essa que foi, certamente, uma das maiores mestras do artesanato que já tivemos.

O encarte, com 8 páginas, trazia sempre um passo a passo, informações detalhadas da técnica e muitas fotos com sugestões. Era uma verdadeiro achado!

Dediquei muitas horas de trabalho a me aperfeiçoar com as técnicas ali ensinadas… sofri um pouco, errei um tanto, mas fui fazendo, fazendo, fazendo até conseguir me sentir bem à vontade para criar minhas primeiras peças e produções também. Mais tarde, com meu ateliê já montado, fiz minha primeira série de apostilas com as minhas técnicas, e uma delas, que ainda produzo até hoje, é a de Bauernmalerei e Pintura Barroca (veja link ao lado).

É muito bom olhar para essas coisas que fazem parte da nossa história, não é mesmo?

Esse ano estou decidida: é hora de criar uma nova série de publicações com esse tema… e já estou trabalhando nisso, podem aguardar que as novidades em breve estarão por aqui…

E se você é APAIXONADA (O) por Bauern como eu, entre na minha página dedicada à essa pintura no facebook e fique sabendo das novidades em primeira mão. O endereço é o:
https://www.facebook.com/BauernmalereiComCristinaBottallo


Pintura em Seda com Gutas, informações básicas


Publicado originalmente no Guia de Pincéis que fiz com a Pinctore Tigre, essas são algumas das informações básicas sobre pintura em seda com tintas específicas.

A pintura com Guta, ou Serti, éuma das técnicas mais tradicionais de pitnura em seda e tecidos finos, é feita em duas etapas: na primeira aplicamos a guta, que é uma espécie de goma, que delimita o desenho e bloqueia as tramas do tecido, impedindo que a tinta para seda, que é líquida, corra pelo tecido.

Se a guta for incolor, como na técnica original, ela deverá ser retirada após a pintura com as tintas, e o contorno ficará na cor natural do tecido. Se a guta for colorida, ela permanecerá no tecido após fixação, como um contorno feito com tinta.

Após a aplicação e secagem da guta é feita a pintura com as tintas para seda, que são bem líquidas e se espalham pelo tecido até encontrar o bloqueio da guta, permanecendo nos espaços delimitados.

As tintas para seda têm fixação a quente, passando a ferro ou à vapor, em uma panela especial. A guta incolor sai com água na lavagem e a guta colorida também é fixada a quente.


Publicação feita por mim para fascículo de pintura em seda da empresa Acrilex


Camisa com espirais aquareladas

Essa camisa abaixo, que originalmente fiz para uma publicação sobre pintura em tecidos, há uns bons 15 anos atrás, além de ser uma interessante técnica que mistura a tinta aquarela para seda com a a aplicação em tecidos de algodão, também foi uma fiel companheira minha por muitos anos…

Além de fazer uma para o show-room da empresa que eu representava na época (Acrilex), acabei fazendo uma para mim também, que usei por anos e anos. Era uma camisa fácil de usar e aposta certeira em várias ocasiões. Branca, básica, corte clássico… mas com o toque colorido das espirais aquareladas. Eu adorava!

Depois de muitos anos de uso eu acabei aposentando-a, mas qualquer hora dessas faço outra nos mesmos moldes…
As tintas aquarela para tecidos são tintas líquidas, bem fluídas, que fixam muito bem em tecidos finos, como a seda, mas que também podem ser aplicadas em tecidos de algodão, como a popeline dessa camisa, ou até mesmo em malha de camiseta e tecidos com fibras sintéticas (mas com uma certa porcentagem de algodão também). A fixação dessas tintas é feita com ferro de passar roupa após a pintura e a secagem, por isso é bem prática.

E se você gostou da ideia e quer fazer uma, dá até para acompanhar o passo a passo abaixo:

Esse tipo de pintura encanta e agrada, é fácil de fazer, sempre está na moda e ainda pode render bem para quem fazer da pintura uma fonte de renda. Nos próximos posts vou trazer mais sugestões assim. 🙂

Conversa de Domingo – O Sagrado Feminino

Olá, amigas do meu blog…
Hoje a conversa de domingo é especial para vocês!

Escrevi esse texto que segue abaixo para o blog do Clube de Artesanato. Como vocês sabem, estou escrevendo e produzindo conteúdo para eles, e entre a cada mês escrevo sobre um tema diferente, algo do universo do artesanato – ou não. Gostei desse texto, e acho que vocês, sobretudo as meninas que me acompanham aqui, poderão gostar também, então aí vai, uma conversinha de domingo de Carnaval preguiçoso para vocês… e bom Carnaval!

Semana passada eu tive uma experiência muito interessante de como o universo feminino pode ser acolhedor. Eu não tenho muita paciência para salões de beleza e por passar o tempo cuidando de cabelos unhas e coisas assim, mas naturalmente freqüento e me cuido. Mas sempre que preciso ir ao salão vou adiando, deixando para depois, evitando. Até que não tem mais jeito, é ir ou ir. E era assim que eu me encontrava após mais de dois meses sem pisar em um salão e depois de passar uma semana na praia, judiando dos cabelos.

Lá fui eu, em plena quarta-feira, no final da manhã, tentando fazer tudo – pintar a raiz, cortar, hidratar, arrumar as unhas – e ainda contando com tempo para voltar ao ateliê, comer alguma coisa e retomar o trabalho o quanto antes. Mas as coisas têm seu ritmo próprio, e não a velocidade da minha ansiedade. Chegando ao salão e vendo a expressão da minha cabeleireira, Miriam, diante dos meus cabelos mais do que judiados, logo vi que a coisa ia longe…

Eu tinha levado até o computador para tentar escrever e trabalhar um pouco enquanto esperava as químicas agirem, mas que bobagem a minha ,como é possível usar um laptop com os braços presos naquele avental de fazer tintura, deitada na cadeira do lavatório e com as mãos sendo trabalhadas pela manicure? Só uma mulher mesmo para achar que realmente dá para fazer tudo ao mesmo tempo… Como não havia outro jeito, fui me acomodando e ficando menos ansiosa. “Aceite, Cristina”, eu pensei. “Essa hora é para cuidar de você, relaxe que uma hora acaba…”. E passei a observar todo o ambiente ao meu redor.

No salão, que é bem pequeno mas muito acolhedor, estávamos em seis mulheres, a cabeleireira, suas duas assistentes, a manicure, outra cliente e eu. Depois de conversar comigo e definir o que seria melhor para meu cabelo – tratá-lo, depois cortar e por fim tingir a raiz, minha cabeleireira saiu para ir à feira, na rua de trás, buscar umas frutas, e me deixou com sua assistente, Daiana, grávida de cinco meses, com sua barriguinha despontando, aquela expressão nova no rosto, já transformada pela maternidade…

A manicure me ajudava a escolher uma cor de esmalte que combinasse com as cores de verão, e me mostrava os tons da moda, quentes e luminosos, os preferidos de sempre, as novidades… No fim escolhi um vermelho-coral que era tudo aquilo junto: novidade, cor da estação e um vermelho, claro. Enquanto isso a outra assistente aplicava uma luzinha azul divertida em meu cabelo ao mesmo tempo que eu recebia uma massagem com um produto especial para restaurar os fios. A sensação era boa, agradável, estava sendo cuidada, realmente comecei a aproveitar aquilo tudo.

Logo chegaram mais mulheres para se juntar a nós, Rita, a sócia do salão, mais uma cliente com sua mãe e uma amiga. Ah, e havia a Pitty também, a cadelinha, que passa o dia todo por lá com sua dona e suas clientes, deitada no sofá, no colo das visitas ou entre seus pés. Todas nós no salão éramos mulheres, cada uma em diferentes momentos da vida, mas todas muito femininas, rodeadas de tudo que faz parte desse universo: mães, avós, filhas, amigas, esposas, namoradas, mulheres, simplesmente.

A Miriam voltou com várias frutas, entre elas dois abacaxis bem cheirosos que ela colocou nos degraus da escada do salão para enfeitar e perfumar ainda mais o sobradinho simpático e jeitoso, cheio de espelhinhos, enfeites e decorações bem femininas. Logo veio também um cheirinho de café fresco, que me ofereceram em seguida, e só então me dei conta que já estávamos no começo da tarde, comecei a sentir um pouco de fome. Bastou eu comentar isso que imediatamente a Rita e sua assistente se mobilizaram, me perguntando se eu queria pedir um lanche, que foi pedido e entregue em seguida, e lá estava eu, comendo um sanduíche e tomando um suco enquanto ainda cuidavam de mim.

Naquele exato momento me dei conta do quão acolhedor pode ser o universo feminino, o sagrado feminino, que nós mulheres sempre transmitimos, mesmo que involuntariamente, afinal, é de nossa natureza . Me senti muito bem no meio daquelas mulheres, fazendo “coisas de meninas”. Me senti acolhida e me enchi de uma alegria boba, sem razão de ser, daquelas que realmente valem a pena sentir…

Por fim terminei tudo e voltei para o ateliê, mas já não me preocupava mais com o tempo. Eu tinha passado por uma experiência tão agradável, que o dia já estava ganho. E de quebra meu cabelo parecia outro, nada mais de fios brancos aparecendo, pontas triplas nem aquele ressecado feio.

Tirei algumas lições daquela tarde, algumas práticas e uma espiritual.

A espiritual é que o feminino carrega mesmo algo de sagrado, esse nosso dom de cuidarmos, de acolhermos, é fundamental para que o mundo não se perca na dureza das coisas do cotidiano, que vão nos envolvendo numa espiral sem fim.

E as práticas são dicas para cuidarmos melhor dos nossos cabelos, que posso afirmar a vocês, funcionam mesmo.
São elas:

– Ao lavar, coloque uma pequena quantidade de xampu na palma da mão, leve ao couro cabeludo e friccione com as pontas dos dedos, até fazer espuma, mas sem esfregar os fios uns contra os outros, principalmente se você tiver cabelos médios e compridos. Esfregar cabelo no couro cabeludo, como normalmente fazemos, estraga os fios com o atrito.

– Usar condicionador apenas no comprimento, em pequenas quantidades e enxaguando com água fria no final. A gente sabe disso, parece até bobagem repetir. Mas quando você coloca em prática esses hábito, a mudança é mais do que visíviel. Pouco condicionador é suficiente para a função que ele tem – aplicado nos fios, deixá-los mais maleáveis. E enxaguar os cabelos com água fria deixa os fios mais brilhantes porque a água fria fecha as cutículas dos cabelos.

– Secar o cabelo com a toalha tirando o excesso de água apertando a toalha nos fios, mas nunca enrolar os cabelos na toalha, esse procedimento também quebra os fios. Eu enrolava os cabelos na toalha e formava um tipo de turbante – assim o cabelo ia secando enquanto eu terminava de me arrumar, tudo para ganhar tempo. Mas enrolando os cabelos você quebra os fios também, e se você deixa par secá-los apenas encostando a toalha, o atrito é bem menor.

– Quem tem cabelos finos (como os meus) não deve usar escova de jeito nenhum. Pentes de dentes largos, de preferência de madeira, são os mais indicados. E depois deixe-os secar ao natural. Os fios se acomodam e o cabelo termina com muito mais movimento e brilho.

Experimentem e vocês irão ver a diferença, assim como eu vi! Meu cabelo, em apenas duas semanas, é outro!

E se vocês ficaram curiosas (e moram na cidade de São Paulo), o salão que eu frequento chama-se, não à toa, Sagrada Beleza.

Cristina Bottallo