Olá a todos, bom dia!
Ontem eu tive uma tarde bem especial, fui visitar a Editora Alpharrabio, em Santo André, local aonde está montada a exposição de Arte Postal “Os Livros” e, coincidentemente, também é a editora pela qual meu pai já publicou alguns livros, um de crônicas e outro de trovas.

Meu pai e Dalila Teles Veras, editora da Alpharrabio, em nossa reunião
Estando lá, aproveitei para mostrar ao meu pai meu trabalho na exposição, é claro…

Novamente na exposição de Arte Postal “Os Livros”
Sobre o livro de trovas do meu pai, acho que já havia mencionado, foi um dos livros que ilustrei, esse com colagens e pinturas em papel.

Trovas Tributárias, por Eduardo Bottallo, ilustrações de Cristina Bottallo
Para quem não conhece, a Trova é um poema monostrófico (contém uma estrofe apenas) com quatro versos heptassílabos (redondilha maior), sem título, que se completa em seus quatro versos.
A trova também é chamada de “quadra” ou “quadrinha”, mas esta sinonímia não é perfeita, uma vez que as regras rígidas da trova não se fazem necessariamente na quadra. Entre os atuais cultores desta forma de poesia, é preferível o termo “trova” como designativo.
Há a necessidade de se diferenciar a trova da quadra que compõe um poema maior, vez que a trova se completa em si, sem aceitar mais nenhuma estrofe.
O esquema rímico da trova é de rimas alternadas (ABAB) ou cruzadas (ABBA). *
* Fonte Wikipédia
O tema desse livro era um pouquinho ingrato, e confesso, me apavorei quando meu pai me pediu para ilustrá-lo. Trovas Tributárias, com impostos como tema? Ai, ai, eu pensei… E depois de quebrar muito a cabeça, acabei resolvendo seguir para uma linha divertida, com colagens. No fim, gostei bastante do resultado. E seguem algumas das trovas e ilustrações abaixo.

Capa do livro, original, sem o texto
A capa eu fiz com uma colagem de diversos papéis pintados com tintas acrílicas brilhantes. O livro mede 15×15 cm, é um formato bem diferente e divertido. As ilustrações eu fiz um pouco maiores, com 21×21 cm. A única colorida é a capa, as páginas internas são todas em preto e branco.

Ilustração da trova para o ISS, Imposto Sobre Serviços
Meu pai escreveu:
(Os prestadores de serviço têm que pagar o ISS, mas nem sempre.)
” A loiraça complacente
só atende a quem merece.
Seu serviço é abrangente
e nem paga o ISS.”

Ilustração da trova para CIDE (contribuição de intervenção no domínio econômico). Hã?
(Cerca de 40% do preço da gasolina é representado por tributos. Um dos que maos pesa chama-se CIDE (contribuição de intervenção no domínio econômico)).
“Naquele posto da esquina,
o motorista decide
pôr “deis pau” de gasolina,
completando com a CIDE.”

Ilustração para a trova sobre o Imposto de Renda
(O apetite do leão é insaciável. Mas ele também é atrapalhado).
“Com linguagem tão confusa,
que não há quem a entenda,
da nossa paciência abusa
a lei do imposto de renda.”
E insidioso:
“Ter que pagar alto imposto,
até que não me amofina.
O que me causa desgosto
é cair na malha fina.”
As ilustrações em preto e branco eu fiz com guache e canetas sobre papel, usando fotocópias de figuras retiradas de livros, jornais e revistas que depois eu pintei, colei e decorei. Gostei do resultado. E as técnicas de desenho e colagem assim são bem interessantes, boas para nossos trabalhos. Tão boas que já estou pensando em uma nova publicação, uma revista, a sair ainda esse ano ou começo do ano que vem, apenas com trabalhos feitos em papel, com técnicas e materiais diferentes. Aguardem mais esse trabalho aqui.
Ah, e para finalizar, o projeto que fechamos com a editora, eu e meu pai, é uma calendário de trovas, que ele já escreveu, uma trova por mês, e que eu irei ilustrar. E o próximo livro, que será publicado ano que vem, será de trovas líricas e filosóficas, também já escritas, em fase de revisão.
Bom, não? E é como a Dalila, editora, falou ontem, durante nossa reunião: enquanto você tem projetos e faz planos, você não envelhece. Muito bom! É isso aí, pai!