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Bazar Craft

No próximo sábado e na segunda-feira, dias 09 e 11 de novembro irei organizar um Bazar Craft em meu Studio com peças bacanas para decoração de Natal e para presentear nesse final de ano.
As opções vão de panos de prato e peças de tecido para a copa e cozinha bacaninhas, bonecas de pano originais, decorações em madeira, encadernações, Árvores de Natal inspiradas…

Vale a pena passar por lá!
Sábado, dia 09/11, das 14h às 19h
Segunda, dia 11/11, das 10h às 18h
Rua João de Sousa Dias, 429
B.Campo Belo
São Paulo
(11) 5049-1322


Conversinha de domingo: no pain, no gain.

Quanto tempo sem escrever por aqui, que coisa!
Não pensem que abandonei meu blog, é só a correria do final de ano chegando: a falta de tempo, o excesso de compromissos, a pressa em terminar o que começamos…e sempre que o ano vai terminando a gente acaba fazendo algumas reflexões, não é mesmo?

Eu tenho feito muito isso, e uma das ocasiões em que mais tenho tempo para pensar, refletir, fazer meu balanço ou coisa assim é durante minha corrida mais longa aos domingos.

Nada mais natural: correndo por 2h30, 3 horas, sozinha, só o chão à sua frente e seu pensamentos na cabeça, não dá para evitar esse tipo de reflexão. É a melhor terapia e experiência de auto conhecimento: você fica lá, você e sua dor, pensando em tudo, realmente tudo. Nos treinos longos a gente acaba entrando num estado de introspecção ainda mais intenso, todo aquele tempo, o corpo se ajustando, se adaptando, a descarga de hormônios, é uma coisa louca mesmo… Ah, e fazendo um “parênteses” nesse caso específico falo da dor física mesmo. Quando a gente ouve a frase “no pain, no gain” (sem dor, sem vitórias) podemos até pensar que se trata de alguma metáfora filosófica, mas quando essa frase se aplica aos esportes, ela quer dizer exatamente isso: para chegar lá, seja qual for seu objetivo, para se superar, acredite, vai doer.

Bem, pulando a parte da dor, que esse ano realmente esteve presente nos meus treinos, na minha recuperação, tratamento e tudo mais (tive uma lesão e precisei mudar um pouco minha rotina de corridas), o ano foi bem interessante. Um ano de retroceder um pouco, avançar por outro lado, perder algumas coisas e ganhar muitas outras.

Se precisei mudar um pouco minha rotina e aceitar minhas limitações, deixar projetos e planos para trás, adiar algumas coisas, por outro lado vi também outras sementinhas que eu plantei nos anos anteriores tomarem forma e ficarem muito mais firmes. Se perdi algumas boas companhias, por outro lado vi amizades novas chegarem e se tornarem fundamentais para mim.

É assim, o curso natural da vida, nossas vidas de rio de correnteza, com os trechos de águas calmas e outros de alguma (ou muita) turbulência. Os ciclos são bons, importantes, fundamentais, vitais até. Então para que brigar com eles, resistir? Vamos deixar a água correr. Muito melhor, muito mais natural.

Assim são os rios – suas águas sabem para onde devem correr – e acho que na vida devemos agir assim também. A gente pode, e deve, determinar um rumo, o caminho que queremos trilhar, mas em alguns momentos, em alguns trechos, as pedras vão nos fazer desviar desse caminho, não para deixarmos de ser aquele rio, mas para cumprirmos nosso ideal, para chegarmos lá.

Todo rio vai chegar ao mar, não é mesmo?

Assim é, e toda vida deve chegar num lugar maior. Acho que é isso que nos motiva, nos move, nos faz sair da cama a cada dia, o desejo de chegar em algo ainda maior. E o algo maior para mim é uma coisa muito simples: você inteiro, pleno, realizado. Não se trata de possuir coisas, mas sim de realizar coisas, coisas que te fazem ser você, um ser único e pleno. Acho que esse é caminho.

E só para completar a conversa, voltando para a corrida: eu corro ouvindo música, e hoje reparei que nas últimas três ou quatro semanas terminei meu treino ouvindo Pink Floyd, minha banda preferida, e especificamente a música Coming Back do Life. Me dei conta só hoje que não foi à toa: estava elaborando tudo isso que escrevi acima a cada corrida, e essa música fala muito bem disso tudo.

“I knew the moment had arrived
For killing the past and coming back to life.”

“Eu sabia que era chegado o momento
Para matar o passado e voltar à vida.”

Linda música, e para quem não conhece fica aí abaixo o vídeo, vale a pena ouvir.

E assim terminamos a semana, o domingo, com uma energia boa e renovada.
Deixar para trás algumas coisas às vezes é o único caminho, e voltar para a vida é fundamental.
Boa semana a todos!


O meu outubro rosa e as bonecas

Comecei a semana que passou escrevendo para o site do Clube de Artesanato sobre a campanha “Outubro Rosa“, criada para alertar todas as mulheres para a necessidade de fazermos exames preventivos contra o câncer de mama, e até postei meu editorial sobre o assunto aqui também.

Depois a semana foi transcorrendo com uma série de coisas que me fizeram pensar nisso tudo: em cuidar-se, o universo feminino, na cor rosa…

Algumas coisas meio desconexas até, sem aparente relação com as outras, mas que me levaram a refletir sobre um monte de questões. E, quando tudo isso estava em ebulição na minha cabeça, recebo uma surpresa para lá de especial, um presente lindo de uma amiga muito querida:

…dois lindos pingentes para minha pulseira em cor de rosa: uma pedra circular e o pingente de borboletas, que a Flora Fassel me mandou.

Foi aí então que tive certeza: estava vivendo o meu “outubro rosa”.

Nos últimos tempos eu tive vontade de retomar algumas coisas que me acompanham desde sempre, mas que andavam meio “deixadas de lado”, como o meu gosto por bonecas e o bordado. E assim, de um hora para outra, me vejo mergulhada nessas coisas tão femininas, e que me trazem uma sensação especial de conforto e acolhimento. Como coisas assim nunca acontecem sem um motivo, me peguei pensando… Mas por que isso agora?


Minha Blythe Violet, com seu cabelo cor de rosa…

Todos temos nossos ciclos e nosso tempo particular para as mudanças. E também precisamos estar disponíveis: às vezes estamos tão mergulhados em nossas ocupações, trabalho, dia a dia, que acabamos não abrindo espaço para outras coisas. Acho que passei por um período assim, e quando tudo se acomodou, pude retomar algumas dessas “coisas de meninas”, coisas que trago comigo desde sempre.

Pensando nisso tudo me dei conta de algo bem interessante: muitas vezes, quase sempre, na verdade, as pessoas se referem ao meu trabalho dizendo “ah, que legal, você tem uma ateliê, seu trabalho é um hobby, não é?” Ou algo assim: “Nossa, que bacana, você pinta, faz arte… seu trabalho é uma terapia!”.

Pois bem, não é, e não é mesmo!
Meu trabalho não é meu hobby, definitivamente. Hobby é aquilo que procuramos para nos divertir, algo que gostamos muito, e é uma atividade para a qual queremos dedicar parte do nosso tempo, sem compromisso com mais nada que não seja o prazer.

E muito menos meu trabalho é uma terapia.
É um trabalho, e como qualquer outro, tem prazos, demandas, precisa servir, ser aprovado, funcionar… Estressa, cansa, consome energia, sem espaço para funcionar como terapia, aliás, é justamente o contrário disso, e quase sempre levo as questões meu trabalho para minha terapia, porque sem ela tudo ficaria mais difícil.

Claro que me sinto – e sou – privilegiada por fazer o que gosto, e ter um trabalho que me permite ficar rodeada de cores, tintas, linhas e tecidos, pincéis e papéis… É muito mais divertido e dinâmico que boa parte dos trabalhos formais, mas a produção artística não tem nada de “romântico”, ela não satisfaz por si só, novamente digo, é bem o contrário disso. Muitas vezes frustra, esgota, e te consome o tempo todo.


Minhas Blythes Amelie, Gigi, Nina e Violet

Então acho mesmo que eu precisava de um hobby, algo que eu pudesse fazer simplesmemte por que quero e gosto, e encontrar as Blythes nesse momento foi fantástico. Adoro bonecas, por que não me permitir isso, afinal? Agora sim, posso dizer, tenho um hobby.

“Brincar de bonecas”, essa coisa tão feminina (embora garotos também gostem de Blythes, sobretudo aqueles apaixonados por moda, customização e coisa do gênero), me permite, inclusive, fazer alguns trabalhos manuais de forma mais leve e descompromissada, aí sim, sem o “peso” do trabalho: voltei a bordar, entre outras coisas, para customizar as roupas das minhas meninas, e já me vejo fazendo outras coisas, como pintar uns cenários para fotografá-las e coisas assim.

Arrumei um cantinho especial para as meninas em minha casa, organizei em meu ateliê minhas coisas de bordado, abri minhas caixas de tecidos e linhas, fui pesquisar meus livros antigos de pontos, e já me sinto inspirada até para misturar outras técnicas com esses “desenhos com linhas”.
Coisa boa!


Mostruário de pontos de bordado

Mas qual a relação disso tudo com o “Outubro Rosa”, afinal?

Bem, a campanha prega a prevenção – fazer auto-exame, exames preventivos, levar uma vida mais saudável. A relação é justamente essa: precisamos nos cuidar, olhar para as nossas necessidades, prestar mais atenção em nós mesmos, para depois buscarmos aquilo que pode nos ajudar a viver melhor, em todos os sentidos.

Esse mês de outubro me trouxe isso, uma necessidade de me cuidar, olhar para mim, me cercar de coisas que gosto e pessoas queridas. E o rosa veio, inclusive, no lindo presente que ganhei de uma amiga muito especial, que me falou ter procurado os pingentes em laranja, minha cor preferida, mas como não encontrou, escolheu esses, em cor de rosa.

E aproveito que estou escrevendo sobre tudo isso para deixar um recadinho aqui: Flora, era do rosa que eu precisava. Você acertou, porque muitas vezes o que precisamos pode não ser exatamente aquilo que queremos, ou que achamos que queremos… Mas uma amiga de verdade sabe exatamente do que precisamos. Seu carinho veio em cor de rosa, e era justamente do que eu precisava.
Meu outubro rosa!
Obrigada, Flora, querida.