Oi, pessoal… bom dia.
Pelo jeito vocês estão gostando bastante dos meus passeios por São Paulo. Que bom, porque pretendo continuar, há muita coisa bacana ainda por ver, registrar e mostrar aqui.
E ainda passeando pelo centro de São Paulo, aproveitei para visitar a exposição “Procura-se um Muso”, que está montada no prédio central dos Correios, que fica na Av. São João, s/n, bem no Vale do Anhangabaú, para mostrar um pouquinho do centro para vocês. Bem pouco, é verdade. Mas é um começo…
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Outra imagem do Vale do Anhangabaú
O Vale do Anhangabaú é uma região do centro da cidade de São Paulo. É um espaço público caracterizado como praça, no qual tradicionalmente se organizam manifestações públicas, comícios políticos e apresentações e espetáculos populares. Atualmente, define-se como uma extensa laje — configurada como calçadão — sobre um entrocamento rodoviário, possuindo papel importante na circulação de pedestres do Centro da cidade. Esta plataforma está localizada a aproximadamente dez metros acima da cota do vale propriamente dita, de tal forma a permitir a passagem subterrânea do tráfego rodoviário. O espaço também se interliga a outras praças da área central, como a Praça Ramos de Azevedo, justaposta ao Vale, ao Largo de São Bento, por meio das escadarias do metrô e à Praça da Bandeira, atualmente ocupada por um terminal de ônibus.*
![viaduto_santa_efigenia[1]](http://crisbottallo.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/03/viaduto_santa_efigenia1.jpg)
Outra imagem do Viaduto Santa Ifgênia
O Viaduto Santa Ifigênia é um viaduto localizado no centro de São Paulo, com uso exclusivamente para pedestres. Começa no Largo São Bento e termina em frente a Igreja de Santa Ifigênia. Sua estrutura foi totalmente fabricada na Bélgica, inaugurado em 26 de setembro de 1913, pelo prefeito Raimundo Duprat.
Atualmente, o viaduto é uma das principais ligações dos pontos mais altos do centro de São Paulo, passando sobre o Vale do Anhangabaú e a avenida Prestes Maia.*
Pois bem, estou mostrando esse lugares para vocês porque o prédio Central dos Correios fica bem nessa região. O prédio, aliás, é uma das poucas construções antigas que ainda existem em São Paulo, infelizmente. O centro de São paulo já foi uma região lindíssima, acreditem. E nós tivemos a capacidade de acabar com quase tudo, infelizmente…
A exposição foi montada no mezanino do prédio, e aí estou eu, com minha obra, “Faz-me Voar”:

Eu e meu trabalho “Faz-me voar”
A proposta da exposição era buscar a visão feminina de um muso, a partir de um torso masculino. Todos conhecemos a figura feminina da musa. Mas sempre vale lembrar: As musas são entidades mitólogicas a que são atribuidas capacidade de inspirar a criação artística ou científica; na Grécia, eram as nove filhas de Mnemosine e Zeus. Musa, no singular, é a figura feminina real ou imaginária que inspira a criação. O correspondente masculino seria o fauno, todavia este ser não tem exatamente a mesma capacidade inspiradora na mitologia. O templo das musas era o Museion, termo que deu origem à palavra museu, nas diversas línguas indo-europeias, como local de cultivo e preservação das artes e ciências.* Interessante, não?
Cada artista que participa dessa exposição, e são apenas mulheres, usou as técnicas de sua preferência, algumas modelaram, outras esculpiram, outras fizeram colagens e pinturas e, por fim, algumas eram fotógrafas, e fizeram fotos e montagens. Eu fiz colagens e pintura.
A exposição “Procura-se um Muso” está montada no mezanino do prédio central dos Correios, e está aberta à visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 17H. O mezanino é um espaço bem bonito, e o prédio, por dentro, é bem moderno e claro, e conta ainda com uma bonita decoração feita com esses painéis de fotos que vocês podem ver ao lado.
Quando fiz meu trabalho procurei pensar naquilo que eu buscaria em um muso, algo que me inspirasse, naturalmente. E me veio a imagem de um ser que pudesse voar. Bem, devo confessar que a inspiração não veio assim, tão rapidamente. Para ser bem sincera, foi durante uma corrida que imaginei meu trabalho, que vi como ele seria, ainda sem detalhes. Apenas via suas asas…
Além das asas, coloquei elementos que são significativos para mim, como o coração e as flores. E qual não foi minha surpresa ao perceber que muitas outras artistas também usaram imagens de corações e flores em seus trabalhos.
Acho que nós, mulheres somos assim, um pouco românticas, talvez até românticas demais…
Mas o que mais gostei nesse trabalho foi que, pela primeira vez, tive vontade de escrever. Não sei nem dizer o motivo, uma vez que nunca escrevi nada em meus trabalhos antes, mas enquanto eu estava preparando a peça, escolhendo as cores e técnicas de pintura que usaria, vieram algumas frases em minha cabeça, sentei no computador e comecei a escrevê-las, para depois transcrevê-las na peça, e acabou ficando muito bom. Acho que deu mais sentido ao meu trabalho.
O texto? Em seguida conto para vocês…

A parte da frente do trabalho…
E como fiz meu trabalho? Aí vai:





Bem, eu trabalhei com um manequim de plástico, desses bem simples… e horrível!
Sendo plástico, precisei aplicar uma base, um fundo que permitisse a fixação de outras tintas e materiais, então apliquei duas demãos de Pimmer para Pet, da marca Corfix, em toda peça, intercalando secagem. Esse produto é incolor, parece um verniz fino, como a Goma Laca Purificada. E também é solúvel em álcool, por isso seca rápido. Sobre esse fundo é possível trabalhar no plástico com qualquer tipo de tinta acrílica, e fazendo qualquer tipo de técnica, sem o risco da tinta soltar-se facilmente.
Depois de preparar o fundo da peça, cortei as asas em um pedaço de papelão (desses de caixas) e cortei também os detalhes da peça, o coração de papelão e os círculos que enfeitam a parte de trás da asa. Colei as partes de papelão nas asas com cola branca e deixei secar.
Forrei tudo com jornal, colando com cola branca levemente diluída em água. Colei pequenos pedaços de jornal. Colei também um barbante bem grosso na parte de trás das asas e pedaços de barbante mais fino no torne, na cintura e no colo. Depois passei duas demãos de gesso acrílico em tudo, intercalando secagem.
Aí pintei tudo com tinta acrílica para telas preta. Não usei a tinta de artesanato, usei a de telas, que é mais brilhante, mais espessa e mais resistente.
A pintura colorida foi feita com tintas acrílicas para telas também, e usei pedaços de esponja fina e grossa como carimbos, para fazer os desenhos (círculos e corações) e pintei as demais partes com pincel chato largo, sempre utilizando as tintas puras, sem diluir, e deixando transparecer o fundo preto.
Depois escrevi o texto com tinta acrílica branca, dispondo as frases ao longo dos barbantes colados. Coloquei a tinta branca em um frasco e apliquei com uma ponteira de metal (do kit fine linner). Fiz alguns desenhos pequenos junto do texto e decorei com tinta acrílica para telas pretas, também aplicada com o frasco e a ponteira metálica, criando um relevo interessante, como uma tatuagem na peça.
Colei as asas na peça com cola de contato e pintei as emendas da cola com a mesma tinta acrílica preta. Colei o coração de madeira forrado com folhas de ouro no coração de papelão e depois colei todo o conjunto na peça, com o mesmo tipo de cola. Deixei secar bem.
Por fim, apliquei verniz spray brilhante na peça para proteger mais. E só!
O texto da minha obra? Segue abaixo. Não é um poema ou poesia (longe de mim ter essa pretensão). São várias frases que fui pensando, e elas estão dispostas na peça ao longo das asas, da cintura, do colo, terminando no coração.
Como podes voar, então leve-me daqui.
Se não podes me levar, então quem irá?
Tuas asas te libertam, mas a mim, aprisionam.
No ar, a inspirar. Inspiração, expiração… você me inspira.
Não tenho medo. Eu vou também.
Sonhei que voava longe, mas você adormecia ao meu lado.
Ou fui eu que adormeci?
Você me tirou do chão. Eu voei também.
* As informações sobre o centro de São Paulo e o texto sobre as musas foram retiradas do site Wikpédia http://pt.wikipedia.org













































